sexta-feira, 28 de outubro de 2011

''Escuteiro uma vez,
escuteiro para sempre''

Quando entrei, se calhar, nem sequer me passava pela cabeça que era lá, naquele grande agrupamento, que eu ia passar os melhores momentos/anos da minha vida e digo ''se calhar'', porque honestamente eu não me lembro do que achava/pensava quanto ao facto da minha mãe me ter incrito, o que acaba por ser normal visto que isto aconteceu à alguns anos. Mas provávelmente eu estaria entusiasmanda, pelo facto da minha madrinha e da minha prima também pertencerem ao agrupamento, na altura.
Se agora me perguntassem ''qual foi a tua melhor actividade?''; ''qual foi a tua última actividade?'' ou ainda mesmo ''quantas actividades tiveste?'', eu não saberei responder: por falta de memória?! talvez, direi sim até, tenho umas imagens desse dia mas nada de concreto que dê para relembrá-lo a 100% ou para contar a história, mas isso não quer dizer, de todo, que tenha sido mau e que ainda bem que não me lembro, é mesmo porque apesar da importância de certas coisas que tenham acontecido na nossa vida o factor tempo acaba por apagá-las da nossa caixinha de memórias. Para já, nao puderei, de todo, dizer qual foi a minha última actividade porque agora eu posso não estar a praticar o escutisto mas ninguém sabe o dia de amanhã, eu tanto posso deixar ficar por aqui a minha prática escutista como posso voltar ao meu passado, mas agora no presente e para o futuro, quanto a isso não tenho qualquer dúvida que só o tempo o dirá. E por fim também nao poderei dizer qual a melhor actividade que já tive pois mais uma vez eu não sei se vou a mais alguma actividade, portanto não poderei responder a essa questão.
Bom, mas como evidênciei que nos escuteiros passei os melhores momentos/anos da minha vida, se à algo de que não me arrependo completamente de ter feito, foi ter entrado para o agrupamento 337, posso nao conhecer muitos agrupamentos, ou quase nenhuns até, mas para mim é o melhor, porque lá eu não encontro apenas bons amigos, mas também uma família, uma grande familia, muito únida. Uma família pela qual eu sinto um grande carinho pelo facto de desde o inicio ate ao fim sempre me apoiaram, sempre estiveram comigo para tudo, receberam-me muito bem, acarinharam-me, lutaram por mim, fizeram-me crescer, tornaram-me na pessoa que sou hoje e estou-lhes imensamente grata por tudo isto e muito mais, e apesar de ter saído por vontade própria, sinto-me em falta para com eles, porque sei que a melhor forma de agradecimento não era sair dos escuteiros, mas sim continuar lá, ''a dar-me sem medida'', a ajudar os outros, a fazer parte daquela família mas quanto a isso, eu nunca vou deixar de ser da família, para lhes eu posso deixar mas para mim eles nunca deixaram de fazer porque ''o que entra no nosso coração, jámais sairá, quer queiramos quer nao.''.
Quando ja somos assim maiorzinhos começamos a relembrar aqueles momentos que mais nos marcaram, se eu relembrar os melhores momentos por que passei quase todos foram nos escuteiros. Muitas das amizades que tenho hoje foram graças aos escuteiros, hoje eu poderia ter muitas mais, tenho a certeza, mas sair foi a minha opção e eu sabia que havia muitas coisas que iam mudar, tal como muitas coisas na vida.
Agora alguns dos que lá estão pedem que volte mas eu não sei, eu a d o r o os escuteiros, não é essa a questão a questão é que na vida nada é para sempre e antes as coisas faziam todas sentido como estavam, mas essas mesmas coisas mudam e nós mudamos com elas, mas ambas para lados opostos, por isso se calhar agora o voltar nao faz sentido, tal como antes o sair tambem nao fazia mas tenho a perfeita consciência que o meu regresso iria ser muito diferente de como foi a minha chegada e não seria para melhor, mas bom tal como se diz nós não sabemos o dia de amanha, nunca se sabe.
Mas apesar de tudo isto, só quero dizer que continuarei sempre ''ÁLERTA'', e que as coisas á vista das pessoas pode ter mudado, mas cá dentro permanece tudo no mesmo lugar, porque ser escuteiro é viver, é um modo de vida, e a minha vida tem este modo.



Mariana Almeida
2011-10-06
Olha para trás! Agora diz me o que vês!

- Vejo, bem lá ao fundo, uma pequena criança, sentada num canto do recreio do jardim-de-infância, sozinha, ela está com uma enorme cara de sofrimento/tristeza. Era como se aquele canto fosse uma prisão, e necessitava-se que alguém a salvasse daquele lugar, neste caso, ela precisava que um alguém fosse ter com ela e a libertasse daquela solidão, daquele vazio, daquela tristeza, daquele lugar e a levasse para bem longe e a fizesse feliz, tal como ela e todas as outras crianças merecem ser.
No meio, do que está atrás de mim, eu vejo agora uma miúda, que tem um olhar cansado de tanta tristeza, de tanto sofrimento, de tantas vivências, de tantos acontecimentos menos bons, de tudo.
Agora aqui bem perto, é-me possível ver uma adolescente, que faz de tudo para que os que a rodeiam se sintam bem, que sejam felizes, mas nem sempre ela consegue que isto aconteça e isso faz com que ela não se sinta bem com ela na mesma.
Ela é uma rapariga que quer muito fazer alguma coisa de bem todos os dias nem que seja só para ver um sorriso no rosto de um alguém, é uma rapariga que tem muito sofrimento nela que sente uma saudade enorme de um ser que apesar de tudo faz-lhe mal a cada dia que passa, mesmo que ela saiba que o melhor é esquecer e dali em diante recomeçar uma vida de novo, é-lhe humanamente impossível, ela não pode esquecer quem é, tudo o que viveu até então, as pessoas que faziam/fazem parte da vida dela, por muito que lhe custe ela não pode mudar nada, a única coisa que ela pode tentar fazer é aceitar o que a vida lhe deu, por muito difícil que seja.

Esta rapariga que rapidamente se tornou numa miúda e agora é uma adolescente, que eu consigo ver, ela tem muitos sonhos, muitas vivencias, muitas experiencias, muitos amigos, um grande amor, uma grande família que a apoia e ajuda imenso, apesar de ser muito jovem ainda, ela já passou por coisas horríveis que já a fizeram querer desistir de tudo, mas ela teve de se arranjar a uma força sobrenatural para conseguir seguir em frente.

Atrás de mim, vejo isto, isto é o meu passado não o vou puder mudar nunca, apenas vou ter de aprender a viver com tudo o que a vida lhe proporcionou.



Mariana Almeida
2011-09-29